TRADUÇÃO PARA DIVERSOS IDIOMAS
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Mail enviado à RENAMO em 01/04/2009

 


Exmº. Senhores,

 

Fui combatente na Guerra Colonial, por obrigação do n/ antigo regime, mas tenho a consciência tranquila relativamente a isso, dado não cometido qualquer crime de guerra, nem atentados contra as populações. Estive em Olivença (Niassa) e nunca dei ou ouvi qualquer tiro, enquanto lá estive.

Passei o 25 de Abril em Maputo e regressei a Portugal em Maio de 1974.

No tempo que estive em Maputo, tive oportunidade de assistir a um comício do FUMO e conhecer a grande oradora foi a Drª. Joana Simeão, que, no fim do comício, me foi apresentada por um membro do partido. Não me lembro do nome dessa pessoa, mas fiquei com uma impressão extraordinária da Drª. Joana Simeão, como política e como uma grande senhora.

Era completamente diferente daquilo que eu entendia e sabia dos responsáveis guerrilheiros da Frelimo. Em Olivença ouvia, frequentemente, as emissões da rádio da Frelimo, mas que se limitavam a passar propaganda, algumas verdades e muitas mentiras que se podem encontrar na NET.

A Drª. Joana Simeão, ao contrário, tinha um discurso político, embora inflamado, que concorde ou não com ele, caía fundo nas pessoas que a ouviam, fossem elas negras, mestiças, brancas, chinesa ou indianas ou outras.

Quando regressei a Portugal, vivi toda a experiência revolucionária e todo o folclore gerado à sua volta, com organizações políticas a surgirem como cogumelos nas primeira chuvas de Inverno, porque estive no Hospital Militar, em Lisboa, até passar à disponibilidade, em Setembro de 1975.

Passados uns anos interessei-me pelo destino da Drª. Joana Simeão. E qual não foi o meu espanto ao saber que ela tinha sido enviada para um campo de concentração no Niassa, que agora sei que era em Metelela (ex-Nova Viseu) e que aí foi fuzilada com Uria Simango, Lázaro Kavandame e outros, sem qualquer julgamento legal (foi condenada pela Frelimo, que era um partido como qualquer outro, pelo que não tinha direito para tal, já que havia um Governo instituído por esse partido, de acordo com o que foi deliberado em Lusaka), em processo sumário realizado na Tanzânia.

O meu apelo a à RENAMO é que faça uma petição na NET, para que todos os moçambicanos chacinados nos campos de concentração da Frelimo tenham direito à sua honra e os seus despojos mortais sejam sepultados com a dignidade de um ser humano.

Penso que isto seria um acto tranquilizador, a demonstração de uma verdadeira democracia e de um País que quer viver em paz consigo próprio.

Não pensem que isto é um recado do colonizador, mas de um democrata que luta pela solidariedade, pela paz em todo o mundo e pelas injustiças sociais que, cada vez mais, grassam por esse mundo fora.

Faço votos que a vossa luta pelos direitos humanos tenha óptimos resultados, porque este mundo precisa de pessoas de boa vontade, solidárias e desinteressadas.

Com os m/ melhores cumprimentos, subscrevo-me

 

Álvaro Teixeira de Oliveira

R. João Oliveira Ramos, 280

3880-009 OVAR

Telem. 960491057

Tel./fax 256191145

Mail: a.teixeira.o@sapo.pt
publicado por gruposespeciais às 17:49
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5 comentários:
De Francisco Dores a 2 de Abril de 2009 às 16:13
Já agora a RENAMO (movimento formado depois da Guerra Colonial ou do Ultramar )é composta na sua maioria por ex- soldados moçambicanos que fizeram parte das n/ tropas entre as quais os GE's e não só.

E na minha opinião não são flores que se cheirem ?


De gruposespeciais a 2 de Abril de 2009 às 18:39
Enviei este mail à RENAMO, porque é o único partido de oposição com representação na A.R. de Moçambique e que poderá reavivar este assunto.
Sei que não será uma flor que cheire, mas a FRELIMO, que foi considerada a única representante do povo Moçambicano pelos n/ governantes do pós 25/04, cometeu imensos assassinatos, após a independência e procedeu a limpezas étnicas só ultrapassadas pelo Pol Pot no Camboja.
Os "senhores" que as cometerem ocupam altos cargos no Estado e valem-se disso para tentar que esse assuntos nunca sejam esclarecidos.
Ainda há dias li uma entrevista dada pelo Marcelino dos Santos em que diz que: "tudo o que, em relação a isso, foi tudo bem e que não se arrepende de nada".
Considero este indivíduo um autor de crimes contra a humanidade.
Consulte na NET os sites relativos a Metelela (ex-Nova Viseu) que vai ver muito e chegar à conclusão que nós até éramos muito pacíficos.
Veja o que existe sobre Joana Simeão, Urias Simango, etc., e retire daí a suas conclusões.
Para terminar, quero dizer-lhe que, sempre defendi a independência das Colónias, mas, passados estes anos deveríamos sentir vergonha pela forma como foi feita a descolonização.
Podemos continuar o "bate-papo", porque isso poderá dar origem, quem sabe, a um grande debate sobre o processo de descolonização.


De Francisco Dores a 3 de Abril de 2009 às 15:28
" mas a FRELIMO, que foi considerada a única representante do povo Moçambicano pelos n/ governantes do pós 25/04 "

O pós 25 de Abril apanhou-me na Zambézia (Milange ), práticamente no matabicho.

Em Julho 1974, na estrada Milange/Quelimane (alcatrão), fomos emboscados numa Provincia onde não havia tiros, e sofremos 9 mortos.

Dias depois (Agosto ) fomos ao mato e entramos em contacto directo com a Frelimo.

Para nós a guerra tinha acabado há muitos meses.

" sempre defendi a independência das Colónias, mas, passados estes anos deveríamos sentir vergonha pela forma como foi feita a descolonização."

Por isso, e só por isso, acho que os Políticos limitaram-se a assinar um facto já consumado.

Ao dispor,

F.Mota


De gruposespeciais a 3 de Abril de 2009 às 16:28
Caro F. Mota,
Gostaria que me mandasse por mail mais pormenorizado do que foi a v/ experiência no pós 25/4, em Moçambique, porque ainda não teve a coragem suficiente para escrever algo sobre este assunto, a fim de eu colocar um post no blog.
Serão estes os contributos para que vamos fazendo a n/ história.
O meu objectivo é de escrever um livro com todos estes depoimentos que forem sendo colocados no blog.


De gruposespeciais a 3 de Abril de 2009 às 16:32
Correcção: onde digo "porque ainda não teve a coragem suficiente", quero dizer "ainda ninguém teve a coragem suficiente".
Peço desculpa pelo lapso.


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