TRADUÇÃO PARA DIVERSOS IDIOMAS

Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

AS ELEIÇÕES DE 28/10/2009 FORAM JUSTAS, LIVRES E DEMOCRÁTICAS?

 



 


Alice Mabota, Presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH), faz a seguinte afirmação: “Se ganho o poder através de um vício, eu teria vergonha”. Ela refere-se às eleições realizadas, em Moçambique, no pretérito dia 28/10, que, ao que tudo indica, a Frelimo terá ganho com uma maioria de votos superior a 2/3 de deputados, o que lhe confere o “direito” de alterar as normas constitucionais sem necessidade de recorrer ao apoio de qualquer outro partido com representação parlamentar.

Quando Alice Mabota fala de “um vício”, é óbvio que se está a referir à viciação não só dos resultados, mas, também, de todo o processo anterior que levou à exclusão de quase todos os partidos do processo eleitoral e à limitação de um partido emergente, o MDM, num conluio da apelidada FRENAMO (Frelimo+Renamo) do qual nem a Renamo acabou por retirar benefícios.


Alice Mabota - Uma Mulher de Coragem

Ainda sobre confirmação da exclusão dos diversos partidos pela Comissão Constitucional, Alice Mabota afirmou: “Tinha vergonha de ser Juiz”.

As denúncias de irregularidades surgem todos os dias, chegando-se ao ponto de se retirarem votos já contados da Frelimo, juntá-los aos votos nulos e serem considerados válidos para a Frelimo, resultando numa duplicação de votos nesse partido. Este é um exemplo de entre muitos, pelo que volto a referir Alice Mabota: “Eu vi que houve muita viciação de votos”. “Eu confesso que tenho muitas dúvidas se as eleições moçambicanas foram livres, justas e transparentes. O que posso garantir é que foram ordeiras, o que significa que as filas decorreram de uma forma aceitável, as pessoas foram depositar o voto de uma maneira aceitável, não houve perturbações. Mas quanto a transparência, a justeza e liberdade, eu tenho muitas dúvidas”. E acrescenta: “Enquanto estive em Maputo eu não tinha uma percepção sobre as eleições. Quando cheguei às províncias, a minha percepção é já outra. Eu preciso de reflectir muito sobre aquilo que vi e ouvi. É muito triste”.

Estas palavras sábias de Alice Mabota não podem cair em saco roto no seio da comunidade internacional que enviou observadores a estas eleições e que nem todos desempenharam, devidamente, a missão de que estavam incumbidos, uns porque aproveitaram para passar alguns dias de férias e outros, porque foram impedidos pelas autoridades moçambicanas de a cumprirem


ARMANDO GUEBUZA

O chefe da "pandilha" que irá continuar a sub-desenvolver Moçambique

Moçambique vai continuar a ser governado com base em princípios anti-democráticos, as suas elites vão continuar a desviar as ajudas financeiras em seu próprio benefício e o povo (cerca de 80% dos moçambicanos) continuará a viver em condições de pobreza extrema. É tempo de se começar a obrigar os governantes a aplicarem os valores por que se regem as democracias, tais como a liberdade, a justiça e a solidariedade. O Ocidente não poderá tolerar novas Somálias, novos Darfur, etc., sob a pena de andar a esbanjar dinheiro com países têm condições de serem auto-sustentáveis, mas não o são, porque esse dinheiro continuar a alimentar pessoas, regimes e instituições corruptas.

É tempo de dizer basta. O dinheiro doado pelos povos ocidentais deverá ser controlado e aplicado nos fins a que se destina e não se deve esquecer que essas doações são provenientes dos impostos dos cidadãos dos países doadores.

 

Ovar, 9 de Novembro de 2009

Álvaro Teixeira (GE)  
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

MOÇAMBIQUE – O REGRESSO DO MONO-PARTIDARISMO (Eleições de 28/10/2009)

 



 


Em 09/06/2009, coloquei, neste Blog, um Artigo intitulado “Democracia em Moçambique caminha para o fim?”. Os elementos que, já na altura, possuía, pressagiavam um resultado, nas eleições realizadas em 28/10/2009 idêntico ao que se veio a verificar. A Frelimo conseguiu ultrapassar os dois terços de assentos na Assembleia Nacional o que condena os restantes partidos a meros espectadores de tudo o que se irá passar na A.M., nos próximos cinco anos.

Nesse mesmo artigo, o autor considerava que os partidos concorrentes às eleições não iriam ter as mesmas condições do partido no poder, pelo que seria impossível uma disputa verdadeiramente democrática, mas, pelo contrário, falseada à partida. Nessa altura ainda não se conheciam as “doutas” decisões de uma CNE, totalmente dominada pela Frelimo, nem da “sábia” decisão final da Comissão Constitucional. O que havia, na altura, eram unicamente presságios e talvez, um pouco, de futurismo, veio a confirmar-se com as decisões acima referidas e os usos e abusos dos meios do Estado em favor do partido que o gere, a Frelimo. As posteriores declarações de variadíssimos membros deste partido vieram a confirmar as piores previsões de que a máquina do Estado iria estar ao seu serviço. E foi o que aconteceu, além das imensa fraudes eleitorais praticadas na grande maioria das Assembleias de Voto.


O que é que Guebuza e a Frelimo irão fazer com esta maioria?

Aproveito para citar as palavras de um jovem moçambicano, que não votou e que, através do MSN, me transmitiu a seguinte afirmação: “ O meu pai é da Frelimo e o partido nunca iria perder as eleições, porque tudo isto é uma fraude imensa”. Isto são palavras textuais de um jovem que, ao não votar, faz parte daquela grande fatia dos 60% de abstencionistas que, por diversos motivos, não se revêem no actual sistema partidário existente em Moçambique. Por outro lado, este mesmo jovem disse-me: “nós, em África, votamos no poder”. Perante esta última afirmação, não valeria a pena a Frelimo entrar no jogo de fraudes, porque a vitória, mais ponto, menos ponto, estaria garantida, mas a Frelimo queria mais, queria o resultado que alcançou, ou seja, a maioria de dois terços na Assembleia da República nem que, para isso, tivesse que humilhar os seus adversários, como veio a acontecer, a fim de se ressarcir da derrota, que, do seu ponto de vista, foram os Acordos de Roma de 1992.


Dhlakama e a Renamo ( fim dos tempos?)

O mono partidarismo regressou em força. Será que vamos ter, novamente, “Campos de Reeducação” ou mais “Campos de Metelela, Lupilichi, Bilibiza e tantos outros”, para aqueles que se recusarem a aceitar este estado de coisas? Os mentores desses locais tenebrosos estão lá todos. Ou vamos voltar a uma nova guerra civil fomentada pelos veteranos da Renamo e mantida por parte dos 60% dos abstencionistas? O clima é favorável a situações de explosão, dado que 80% dos moçambicanos vivem em pobreza extrema e sabem que nada têm a perder com situações de revolta popular, como veio a acontecer com a guerra civil encetada pela Renamo em 1976 e o campo de recrutamento é imenso.


Um resultado para o futuro, mas muito aquém do esperado

O mundo ocidental tudo fará para que nada disto venha a acontecer, mas o primeiro passo está dado. Vamos aguardar pela tomada de decisão dos Países Doadores que são, em última análise, os responsáveis por este estertor da democracia multi-partidária, em Moçambique, ao não controlarem os fins a que se destinaram as suas doações.

 

Ovar, 3 de Novembro de 2009

Álvaro Teixeira (GE)

 

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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

28 de Outubro de 2009 – ELEIÇÕES EM MOÇAMBIQUE

 


 



 


 

Amanhã, dia 28/10, é um dia muito especial para um belo país chamado Moçambique e para essa terra da boa gente que é o Povo Moçambicano. É dia de Eleições, um dia que deveria ser natural numa democracia consolidada e amadurecida, mas sobre o qual recaem as maiores suspeitas de ilegalidades cometidas pelo partido no poder, a FRELIMO, que controla todos os organismos que deveriam ser independentes, como a CNE e o CC, a seu bel-prazer, conseguindo perverter o conceito de democracia que é a inclusão, transformando-o em exclusão.

 


DAVIZ SIMANGO À PRESIDÊNCIA, JÁ !

 Apesar dos constrangimentos colocados pela anti-democrática FRELIMO, ainda há possibilidades de escolha e essa escolha deverá ser a da MUDANÇA, por um Moçambique para todos e não só para uma meia dúzia que governa o País há 35 anos e não o consegue desenvolver. É necessário mudar e mudar para melhor, para uma Democracia autêntica, para uma Liberdade para todos e para um sistema onde todo o povo tenha a oportunidade de construir a sua própria Felicidade.

 


 

VOTAR MDM É UM DEVER DE TODOS OS DEMOCRATAS

 

 

Ovar, 27 de Outubro de 2009

Álvaro Teixeira (GE)

 
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

ELEIÇÕES – Moçambique (28/10/2009) – (3)


 


As próximas eleições a realizar em Moçambique, no próximo dia 28 Outubro, serão, com toda a certeza, as últimas com os partidos, pelo menos na sua grande maioria, tal qual os conhecemos hoje. Já estamos a assistir à implosão da Renamo, com a “fuga” dos quadros e militantes para o MDM, o que irá permitir a este novíssimo Partido ter uma representação parlamentar, cuja dimensão não é, neste momento, quantificável, dada a sua exclusão na maioria dos círculos eleitorais. A implosão da Frelimo dar-se-á na precisa altura em que aqueles a quem eu tenho referido nos meus artigos anteriores como “anormais”, velhos e analfabetos, tanto do ponto de vista de formação académica, como de formação política sejam ultrapassados pelos novos quadros que não se revêem nos métodos, até aqui adoptados pelo regime frelimista.

Nestes últimos anos o Mundo mudou muito e, quando há relativamente pouco tempo se previam cerca de dez anos para que 80% das coisas mudassem, nesta altura os prazos de mudança das mesmas coisas já são inferiores a cinco anos. Daí a minha estranheza relativamente à existência dos planos quinquenais da Frelimo, mas que foram herdados do marxismo-leninismo, doutrina que este “partido”, ainda, não abandonou.


Em 2009 (34 anos após a independência) a fome continua a matar em Moçambique

Com a implosão do Império Soviético, nasceram novas filosofias políticas e económicas, precursoras da Globalização dos Mercados que vieram a acabar com os expansionismos imperialistas e, agora, só resta uma solução aos países subdesenvolvidos que é a sua abertura a novos mercados e criarem, eles próprios, os seus próprios mercados e desenvolverem as suas populações, a fim de que possam absorver a riqueza produzida por cada um. E é neste contexto que os países desenvolvidos estão interessados, com as suas ajudas, a desenvolverem os países colocados na cauda do desenvolvimento, não só por uma questão de solidariedade, mas, também, para a criação de novos mercados, dado que o Ocidente produz mais do que aquilo que consome. Esta crise mundial, que ainda não está perto do fim, embora se notem, já, alguns sinais de retoma, muito pelas medidas tomadas pelo presidente Obama e pelas economias europeias, irá obrigar a que os “anormais”, velhos e incultos, como os que ainda tentam prevalecer num país como Moçambique a abandonarem, quando menos o esperarem, o poder absoluto que mantêm sobre o seu Povo e entregá-lo a novos quadros, a novas ideias que se enquadrem nos valores da Democracia, da Liberdade, da Justiça Social e no direito de cada pessoa procurar a sua própria Felicidade.


Em Moçambique os tais “anormais”, velhos e incultos tudo fizeram para que as Eleições marcadas para 28 de Outubro constituíssem uma “palhaçada” de Exercício Democrático, dominada por duas organizações auto denominadas de “partidos”, Frelimo e Renamo, a fim de prejudicarem o único e verdadeiro partido que os poderia derrotar nas urnas, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), mas estou certo que nada irá calar a revolta do Povo perante estes actos anti-democráticos e que Moçambique nunca mais irá ser igual depois de 28/10/2009, porque os jovens e os habitantes dos grandes aglomerados populacionais não irão perdoar o atraso e o subdesenvolvimento a que, cada vez mais, estão votados.

A Libertação prometida e não consumada em 1975 irá ser feita agora, não com armas, mas com a grande força que o Povo Moçambicano está a reunir em torno de um grande partido democrático, o MDM.


 

(Continua…)

 

Ovar, 20 de Outubro de 2009

Álvaro Teixeira (GE)

(Gestor de Empresas e de Recursos Humanos)    
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Domingo, 18 de Outubro de 2009

ELEIÇÕES - Moçambique (28/10/2009) - (2)


 


 


Depois de no artigo anterior ter abordado o facto de dois “anormais”, Mariano Matsinhe e Alberto Chipande se considerarem, como membros da Frelimo, donos do destino de um Povo que, após 35 anos do fim da Luta de Libertação, ainda não conhece o que são os verdadeiros valores da Democracia, da Justiça Social, da Liberdade e do direito à procura da sua própria Felicidade, irei procurar, hoje tecer algumas considerações sobre este verdadeiro drama que assola a sociedade moçambicana:

1 – Os quadros que, ainda hoje, dominam o cenário político moçambicano são oriundos da Luta Armada e, na sua grande maioria têm um nível de escolaridade muito baixo (o Guebuza e Dhlakama possuem, apenas, o 9º ano de escolaridade e ambos são líderes dos respectivos partidose tenentes-generais!!!). Há outros dirigentes que foram instruídos em Escolas de Missões que abandonaram antes de concluírem o ensino secundário, a fim de se juntarem à Frelimo. Todos estes dirigentes, por falta de instrução de base foram permeáveis às doutrinas marxistas-leninistas e, num período posterior, o maoísmo. Estas teorias que nada tinham a ver com os valores, acima enunciados, foram as que aprenderam alguns quadros da Frelimo e que as vieram a implementar, logo após Abril de 1974, em Moçambique, com as centenas de milhares de crimes cometidos e com a destruição de toda a economia do País. Estes efeitos foram e continuam tão nefastos que, dos 20 milhões de moçambicanos, 16 milhões vivem em condições de pobreza extrema e, destes 16 milhões, 70% são constituídos por mulheres;

 

O sofrimento da Mulher Moçambicana (Um atentado à democracia, à liberdade e ao direito de ser feliz)

 

2 – A oposição dos “velhos” e incultos à renovação tenderá a agravar, ainda mais, a situação, uma vez que os Países Doadores não tolerarão mais devaneios anti-democráticos como os que se estão a verificar neste processo eleitoral e tendo já a Suécia e a Finlândia com a suspensão das doações e, neste momento, tanto a Comunidade Europeia como os EUA, estão a repensar as suas posições. Ora, se chegarmos a uma situação desse género, penso que os tais “velhos e incultos tentarão ensaiar uma fuga para a frente com consequências desastrosas que poderão levar Moçambique a um “País Falhado”, no contexto internacional;

 

3 – Por último, é importante referir que Moçambique não possui riquezas naturais que não possam ser encontradas noutros países, tanto em qualidade como em quantidade, por isso, esses incultos que governam o País devem convencer-se que Moçambique não possui uma posição geoestratégica de grande importância nem a sua posição económica é importante para o Mundo Global. E é neste contexto que deve ser encarada a grande percentagem dos moçambicanos que vivem em pobreza extrema (16 milhões = 80%) e cuja situação se agravará, substancialmente, em caso de diminuição das Doações.

 

As saídas para esta situação, serão analisadas no próximo Artigo.

 

Ovar, 17 de Outubro de 2009

Álvaro Teixeira (GE)    

 

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